Olhares
O Universo. Diversas galáxias, “infinitrilhões” de estrelas, um real infinito de poeira cósmica e energias diversas. Assim é o universo.
Via Láctea. Centenas e centenas de estrelas, os planetas dispostos como titãs a guardar Hélio, seu Senhor supremo.
O planeta Terra. Milhões e milhões de pessoas, e o mais interessante: nenhuma delas é igual à outra. Incrível como não encontramos, mesmo em consonância com nossos semelhantes, alguém exatamente igual a nós. E olha que existem tantas pessoas.
Sentado estou, no centro da cidade, refletindo sobre isso. À minha frente, passam os carros, ônibus, bicicletas, motos, alguns poucos caminhões. Correria, pessoas indo e vindo, algumas bem arrumadas, bonitas; outras mais esfarrapadas, sem falar dos mais excêntricos. E eu aqui, com meus livros, esperando a hora de adentrar no prédio para estudar lingüística, num calor intenso, olhando para as pessoas. As pessoas falam tanto em seus olhares...
Algumas parecem tão distraídas, enquanto outras, tão atentas a tudo. Noto as necessidades de afeto por parte de algumas delas, muitas delas se vestem bem e possuem um celular de marca. Que acontece afinal? Será que dão tanto valor às coisas materiais que acabam por esquecer do lado afetivo, emocional, do apego com seus familiares, seus amigos, e com um companheiro, ou companheira? São pessoas estranhas, por vezes...
Outras olham para todos desconfiadas, como se estivessem em meio a uma sociedade de bandidos, traficantes e assassinos, ou até mesmo loucos de manicômio. São, em sua maioria, pessoas que perderam a fé em um mundo sem violência, creio eu. Pessoas que, nos dias atuais, se deixam levar pelos noticiários repletos de sensacionalismo, que acabam por distorcer os fatos ocorridos. Seres que já não pensam mais em prevenir os riscos à sociedade, mas somente em arrumar uma defesa contra eles.
Há ainda os monólitos. Oh, sim, são esplêndidos! Enormes monólitos de terno e gravata, com cara fechada e expressão rude, nunca sorriem. Isolaram-se de tudo o que lhes podia ser nocivo, construíram uma parede de aço em volta de si mesmos, e dessa forma não precisam sofrer por perdas e danos emocionais. Chegam a ser alexitímicos, se questionados sobre seu interior.
Mas há ainda um tipo de olhar que muito me chama a atenção: as pessoas felizes! São raras hoje em dia, mas uma coisa é certa: elas existem! Lembro-me de poucas pessoas com um semblante de felicidade, de alegria no rosto. Elas, porém, andam sempre elegantes, mesmo que estejam vestindo jeans e uma camisa branca da Hering. Acho que é seu sorriso, sua energia positiva, seu otimismo que acaba por contagiar o ar à sua volta. Sua visão, porém, é tão rara como alguns animais em extinção, e infelizmente o mundo passa longe de realizar uma “campanha” a favor dos felizes!
Bem, acho que estou viajando muito nos conceitos, e minha aula começa em cerca de cinco minutos. Não vejo nada melhor para fazer do que levantar, e começar a andar até o prédio. No caminho, quem sabe, não encontro uma pessoa triste, que precisa muito de um sorriso? É uma possibilidade...
Escrito por RodrigoGrosskopf às 23h43
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Pensamentos
Eles andam É noite, mas eles andam Ponderam, decifram, se enganam
Cunham termos e expressões Para explicar e entender Vegetam nas pedras do saber
Correm, voam, somem, morrem Por outras vezes, entretanto De repente reaparecem
Carregam-se de afetos Conferindo às lembranças Tantos medos, amores e ânsias
Tão travessos, tão inócuos Outros atrozes e perigosos Abstratos, sinuosos
Apagando-se nas águas Para logo ressurgirem Do lago escuro do sono
Escrito por RodrigoGrosskopf às 13h14
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